O cenário pedagógico musical.

quinta-feira, 14 de junho de 2012 0 comentários

 Nesta publicação o SI em Notícias cede o espaço para mais uma matéria muito interessante da parceria com CEM – Centro de Estudos Musicais que oferece cursos na área da música como o violino, violão, guitarra, baixo, teclado, piano, canto, sax, flauta transversal e doce, bateria, iniciação musical (musicalização infantil) e o diferencial de uma estrutura móvel de atendimento. Uma ótima leitura a todos!

A preocupação de alguns pais é com relação á metodologia utilizada por um determinado local de ensino. Temos varias metodologias conhecidas, como o construtivismo proposto por Piaget, onde a aprendizagem é vista como algo que não esta acabada e se constitui principalmente pelo processo de interação do educando com o meio físico e social, com o simbolismo humano e com as relações sociais. Outra proposta pedagógica é o sócio interacionismo, proposta por Vygotsky onde é proposto uma educação através da interação social.

Musicalmente falando, temos vários pedagogos: Willems, Dalcroze, Orff, Shafer, Kodaly entre outros. Claro que cada um teve sua contribuição no cenário pedagógico musical. Willems, por exemplo, criou um método de ensino para crianças baseado na “flexibilidade orgânica”. Já Dalcroze criou o método eurrítmico que utiliza resposta do aluno ao ritmo proposto por meio de movimentos rítmicos corporais. Orff tem um trabalho muito bom de pesquisa de danças circulares. Como dito, cada pedagogo tem uma grande contribuição no cenário musical, mas o pedagogo que gostaria de apontar é Shinichi Suzuki com sua filosofia da linguagem materna.

Em sua concepção todo mundo pode aprender musica, e em sua visão, o que chamamos de dom ou talento não existe da forma como é pregado por ai. Em sua metodologia, ele acredita que por meio de linguagem materna todos podem aprender algo. Quando ele se refere ao aprendizado musical baseado neste pensamento adaptamos a seguinte pergunta: Você acha que falamos português porque temos um talento especial para falar essa língua ou por que nascemos no Brasil? Assim funciona na musica. A mãe, pai ou responsável participa da aula e o professor mostra ao responsável pelo aprendiz o que deve ser trabalhado em casa. Sendo assim o filho aprende com a mãe (pai ou responsável) do mesmo jeito que ele aprendeu a falar. Além disso, temos a questão do estimulo e da naturalidade. Quando estamos naturalmente aprendendo a falar  somos estimulados pelas pessoas que nos rodeiam. Ao primeiro som, mesmo que não se pareça com nada, “deduzimos” que a criança falou “papai” ou “mamãe” ou “água”, e pedimos para repedir diversas vezes. Quando uma criança esta estudando um instrumento geralmente o que ocorre é o contrario. A mãe ou pai fica dizendo: “nossa, você vai tocar essa musica de novo” ou “você não sabe tocar outra coisa não”, ou “nossa que desafinado”. Baseado na linguagem materna e no estimulo pregado pelo S. Suzuki, o que deveria acontecer seria: “nossa que legal que você esta tocando uma musica, toca de novo que eu acho que vai ficar mais bonita ainda” ou “nossa filho, esse foi seu primeiro som no instrumento, que legal” ou “filho eu acho que mais algumas vezes e vai ficar melhor do que esta”. Percebe a diferença? Por que quando estamos aprendendo a falar temos todo o estimulo do mundo e quando estamos aprendendo a tocar não temos o mesmo estimulo. A musica é uma linguagem da mesma forma que o português ou inglês e tem que ser aprendida da mesma forma: palavra por palavra, até forma frases, até formar textos, inicialmente a fala e depois a escrita. Musicalmente falando, aprendemos nota por nota, ritmo por ritmo e musica por musica, inicialmente a pratica depois a partitura e a escrita musical.

Shinichi Suzuki escreveu um livro chamado “Educação é Amor” – o método clássico da educação do talento – onde nele retrata exatamente isso. O que chamamos de talento, o Suzuki chama de treino. O que chamamos de genialidade, para a filosofia Suzuki são anos e anos de pratica. Nada é por acaso. Por exemplo, muitos apontam Mozart como um gênio. De fato, o que ele fez foi de extrema importância para a musica ocidental até os dias de hoje, mas quem era o pai do Mozart? Nada mais nada menos que o maior regente da época: Sr. Leopold Mozart. Será que se ele fosse filho de um pastor de ovelhas ele seria o “gênio” que ele foi?

Bem, mesmo que você acredite que talento existe e que ele é algo que nascemos com ele ou não, ainda assim a filosofia Suzuki ainda tem uma pequena frase que já abraçou muita gente: “não existe talento pequeno demais que não mereça uma chance”.

Sendo assim, o que é mais importante para essa filosofia não é sua facilidade para o instrumento que você optou, mas sim, a crença de tocar um dia.

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